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Sobre Bloom, Feynman e a educação no Brasil

Recentemente li a seguinte notícia: Relatório da Unesco diz que Brasil tem baixos índices na educação básica

Infelizmente nada disso é novo, logo lembrei do relato do físico, ganhador do prêmio Nobel em 1965, Richard Feynman no seu livro “O senhor está brincando, Sr. Feynman?: As estranhas aventuras de um físico“. O trecho em questão (que vale a pena ser lido) pode ser encontrado aqui. O relato do texto data da década de 50, porém ainda retrata a atual maneira como se ensina/aprende ciência no Brasil.

Infelizmente não somos ensinados para entendermos e utilizarmos a ciência, e sim para usá-la no papel, de preferência em provas que “medem” o seu conhecimento, e para tanto devem ser as mais difíceis possíveis. Um reflexo disso, é que temos “cursos preparatórios” que ensinam como passar em diversas provas. Uma busca simples no google devolve 1,180,000 resultados, entre provas, concursos, certificações, vestibular, escolas especializadas, …

Algo que eu aprendi enquanto estudava no IMPA é que provas devem ser as mais simples possíveis, pois só assim você pode garantir que alguém sabe, ou não o conteúdo que deveria. Numa prova complicada se alguém dá a resposta errada muitas vezes não é possível distinguir se o problema é a falta de entendimento do assunto em si, ou da falta de entendimento de toda a dificuldade criada em torno do assunto.

Refletindo sobre o tema, e lembrando de algumas discussões antigas sobre pedagogia, lembrei-me da Taxonomia de Bloom, que organiza os níveis de conhecimentos cognitivos de maneira ordenada. A ordem é a seguinte:

  1. Lembrar
  2. Entender
  3. Aplicar
  4. Analisar
  5. Avaliar
  6. Criar

O interessante é que para motivos de “prova”, precisamos apenas dos primeiros dois níveis: Lembrar e Entender. E é exatamente aí onde para o ensino brasileiro. Ou alguém lembra da aplicabilidade de matrizes, movimentos ondulatórios, briófitas, prosopopéias e afins? Acho que não. E não é por que essas assuntos são “inúteis” que não vemos sua aplicabilidade, o que acontece é exatamente o contrário, como não vemos a aplicabilidade, temos a visão que isso é inútil.

Por mais simples que possa paracer, esse problema acaba se refletindo em vários aspectos do nosso dia a dia. Quantas vezes você já se deparou com um problema, foi ao google, achou a resposta, entendeu e parou por aí? E dias depois um problema semelhante apareceu e você não conseguiu resolver, foi procurar novamente aquela mesma solução que já deveriamos ter aprendido na primeira vez. Bom, talvez isso reflita a forma como você sempre aprendeu as coisas.

Talvez seja a hora de começarmos a rever nossa maneira de aprender.